Blog •  02/12/2021

Investir é preciso

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                                                           “Navegar é preciso, viver não é preciso....”

                                                                      General Romano Pompeu (106-48ª.C.)

 

A safra 2021/22, no Centro-Sul brasileiro, mostrou morte súbita. Só não foi mais súbita face as chuvas de outubro e novembro de 2021. Safra complexa, com graves ocorrências climáticas, além do aumento dos custos de produção, mostrou uma certa compensação com uma relativa boa qualidade da cana, bons preços e câmbio muito favorável às exportações. No entanto, deixará sequelas para a safra 2022/23 seguinte!

 

Vivendo outro ano-safra com a pandemia, o produtor vê preços do açúcar a US$ 20 c/lb e câmbio de R$ 5,20 – 5,50/US$, com etanol chegando muito próximo, a US$ 18 – 19 c/lb (preço equivalente em açúcar). São preços estimulantes que devem mostrar redução do endividamento setorial, muito positivo, além de permitir investimento maior na produção. Os preços do etanol em vários casos subiram na safra 2021/22 ao redor de 70%, com os do açúcar e da bioeletricidade acima de 40%, atenuando as quebras de produção.

As condições ambientais observadas em 2021 afetaram a brotação e o desenvolvimento inicial dos canaviais, com impacto à rebrota, aumento da ocorrência de falhas e redução da biomassa acumulada até o momento. As condições de déficit hídrico impediram ou postergaram a realização de plantios e trouxeram atraso no desenvolvimento dos canaviais. Além disso, danos por geadas e incêndios levaram a perda da biomassa acumulada até então, com reinício do processo de brotação, o que não apenas gerou falhas de stand, mas aumentou ainda mais o atraso no desenvolvimento vegetativo dos canaviais e implicará alterações no planejamento de colheita para 2022/23.

Diante disso, o início da safra 2022/23 será marcado por dúvidas a respeito do potencial produtivo dos canaviais, com intenso atraso em seu desenvolvimento vegetativo, o que pode resultar não apenas em menor produtividade, mas também em impactos negativos à qualidade da matéria-prima. Trata-se de um cenário crítico e que deve ser encarado como tal pelo setor, mas apesar das dificuldades e limitações, há sim possibilidades de amenizar tais impactos em 2022/23. A cultura da cana-de-açúcar tem um ciclo longo, de ao menos 12 meses e, durante esse tempo, muita coisa pode acontecer. As condições climáticas da primavera, verão e parte do outono (abril e maio) serão fundamentais nesse sentido, e já começaram muito bem, com boas chuvas em outubro e novembro. Apesar de não existirem milagres, certamente haverá oportunidade e o produtor tem de estar atento para aproveitá-las em 2022/23. Será um jogo onde quem errar menos vence e, nesse sentido, seguir os seguintes passos é fundamental:

1) Garantir o máximo de desenvolvimento vegetativo: investir em complementações nutricionais e de bioestímulo será importante não apenas para obter boa produtividade agrícola (toneladas por área), mas também porque essa é a premissa número 1 para obter uma boa maturação no início de safra, com uso de maturadores;

2)  Proteger o desenvolvimento do seu canavial: não basta investir em desenvolvimento, é preciso garantir que ele não seja penalizado por pragas, ervas daninhas e doenças. Mesmo que em safras normais isso não parecesse importante em canaviais de determinado porte ou momento de colheita, em 2022/23 todo cuidado é pouco e toda possibilidade de perdas deve ser evitada;

3) Utilizar maturadores: finalmente, o produtor não poderá esquecer de que ele é pago pela qualidade da matéria-prima e que essa foi a salvadora em 2021/22 e o será em 2022/23. O atraso no desenvolvimento dos canaviais será um desafio importante, não apenas à produtividade agrícola, mas também a qualidade. Canaviais imaturos podem comprometer drasticamente o rendimento industrial das usinas, cenário que pode ser agravado por eventuais chuvas no início da safra. Diante disso, é indispensável o uso de maturadores, em especial aqueles com baixo impacto à produtividade como o Curavial.

O mercado será atraente em preços tanto em açúcar, como em etanol e energia elétrica. Deverá ser muito bom tanto ao Centro-Sul quanto ao Norte-Nordeste que mostra condições normais de produção. Isso atrai, assim como a subida importante dos custos assusta bastante!

Não há outro caminho que o dos investimentos adicionais para o desenvolvimento do canavial para a safra 2022/23, incluindo um grande esforço na renovação dos canaviais.