Blog •  20/12/2021

O doce mercado e as mudanças

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Luiz Carlos Corrêa Carvalho

 

“A sorte combate sempre

do lado do prudente”

Eurípedes

Em 2021, no iniciar da primavera, eram claros os sinais da volta aos trilhos da vida, com o avançar das vacinas ao redor do mundo. A demanda por produtos se acelerou rapidamente, sobre uma base de produção estagnada. Junto com esse fato veio a lenta recuperação da logística global e os governos dos países a encarar seu déficit fiscal e uma certa incapacidade de reação. O foco volta-se para a inflação e, com ela, os Bancos Centrais subindo os juros aceleradamente. Em síntese, o mundo em relação à macroeconomia mudou muito.

 

As notícias vão refletindo esses fatos, acordando mesmo os desavisados, até que chega a informação da variante ômicron, do COVID-19, na África do Sul. Essa péssima notícia chega e cria a imagem de uma nova onda do vírus, “lockdowns” e o aprofundamento dos problemas.

Estará o mundo vivendo sob a política monetária mais rígida dos EUA, de uma China com crescimento mais lento e da nova variante ômicron, do COVID-19. Isso impactará de forma diferente cada um dos importantes países no mundo. O FMI, Banco Mundial, o BIS fizeram interessante projeção sobre a vulnerabilidade dos países à política monetária dos EUA, com resultados distribuídos entre Balança Comercial, Dívida Pública, Reservas, Preços ao Consumidor e Dívida Externa. Chamando isso de “índice de vulnerabilidade”, com notas até 40, o Brasil ficou no conceito mediano (24 pontos), com a Argentina na pior posição (33 pontos) e a Arábia Saudita e Rússia nas melhores posições (6 e 8 pontos).

O mesmo se diz sobre a realidade chinesa e a complexa dependência dos países, assim como os riscos da extensão da pandemia.

Os impactos vieram, numa primeira reação, sobre os preços do petróleo, que caíram abaixo de US$ 70/barril, de US$ 85/barril onde estavam. Algumas commodities também recuaram, nas incertezas dessa tremenda nova variável que teria o potencial de reduzir a demanda.

Altos preços de energia levantam os custos dos insumos à produção e, no caso do açúcar e do etanol, fazem subir seus preços pela lógica gasolina – etanol e açúcar – etanol. No momento, o etanol tem preços melhores que os do açúcar!

O pós-COP 26, com a valorização das energias renováveis, mas com a reação dos países dependentes do carvão mineral e do petróleo e gás natural, cria outra sensação de inação. As mudanças vão acontecer, mas a velocidade será função das medidas na União Europeia, EUA, China e Índia. No entanto, o mercado de carbono começa, de fato, a ser delineado para valer.

Como o setor sucroenergético sentirá isso?

Como todos sabem, o açúcar vive hoje uma perspectiva de equilíbrio de oferta e demanda para a safra internacional 21/22, sendo fundamentais nisso o Brasil e a Índia. O etanol, pelo seu lado, depende muito dos preços do petróleo, de como os EUA vão tratar a questão dos estímulos monetários (FED), além do tamanho da liberação, por aquele país, das suas reservas de petróleo, além do peso das medidas a serem tomadas pela OPEP+ (com Rússia).

Um olhar sobre a redução de preços dos produtos sucroenergéticos, nesses dias de início de dezembro/21 mostra impacto, mas pequeno, no açúcar. O mesmo se pode dizer para o etanol.

O açúcar mostra queda de preços no mercado interno da Índia e dificuldades de suas exportações sem subsídios (questionados por Brasil/Austrália e Guatemala e aceito pela OMC na sua recente decisão) o que aumenta a dependência global do produto, do Brasil. O etanol tem limites de estoques e somente mostrará alguma queda relevante se a Petrobrás reajustar muito para baixo o preço da gasolina, que é função da cotação internacional.

Os preços da cana, no padrão safra 21/22 do Centro-Sul, estarão muito bons na média, a R$ 1,20/kg de ATR. Para a safra 22/23, com todas essas variáveis deverão dar margens positivas.

O lado positivo é uma aliviada nos aumentos dos custos aos produtos derivados do petróleo, mas, ao mesmo tempo, tudo isso dependerá da nova “onda” do COVID 19. Vai acontecer?

O fato, sempre mais relevante, é que a produtividade agroindustrial é quase tudo. Um olho no mercado, mas os dois olhos nos investimentos agora que viabilizem 2022 e 2023.

Feliz Natal e um Excelente 2022 a todos!