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TECNOLOGIA Bt - MANEJO DA RESISTÊNCIA DE INSETOS  - ÁREAS DE REFÚGIO

 

Contexto

A evolução da resistência de pragas é o maior entrave para o   uso   de   culturas   que   expressam   proteínas   Bt.   Sem   a   execução de um programa efetivo de Manejo da Resistência de  Insetos  (MRI),  as  tecnologias  Bt  podem  ter  sua  eficácia  comprometida. Pensando nisso, a Corteva Agriscience™  desenvolveu  este  material com  informações  e  princípios valiosos para você cultivar conhecimento sobre as boas práticas em culturas Bt.

 

O QUE SÃO CULTURAS Bt?

O  termo  Bt  é  composto  pelas  iniciais  do  nome  científico  da  bactéria Bacillus  thuringiensis.  Esse  microrganismo,  encontrado  naturalmente  no  solo,  produz  uma  proteína,  ou  cristais  proteicos,  que são tóxicos para diversas espécies de insetos, destacando-se as ordens dos lepidópteros, dípteros e coleópteros. Os  genes  que  expressam  essa  proteína  foram  identificados  e  introduzidos  em  plantas  de  interesse  agronômico  como  milho,  soja,  algodão  e  cana-de-açúcar.  Com  isso,  as  plantas  que  possuem   a   tecnologia   Bt apresentam   atividade   e   ação   inseticida eficaz para o controle das principais pragas presentes nas lavouras.Os  cristais  proteicos  produzidos  pelas  bactérias  são  também  conhecidos  como  proteínas  Cry.  Atualmente  são  conhecidos  mais  de  70  grupos  de  toxinas  Cry,  identificados  por  letras  e  números  (Cry1A,  Cry2Ae),  atuando  sobre  determinado  tipo  de  inseto.  Além  disso,  outras  proteínas  com  atividade  inseticida  também são produzidas pela bactéria B. thuringiensis, entretanto, em menor frequência, sendo elas as proteínas Vip e Cyt.

Com   isso,   as   plantas   que   apresentam   a   tecnologia   Bt proporcionam    um    impacto    extremamente    positivo    na    agricultura brasileira, tanto do ponto de vista de eficiência no controle  de  pragas  quanto  de  segurança.  Possui  diversas  vantagens como possibilitar a redução do uso de inseticidas químicos  e  não  ser  afetada  por  fatores  ambientais  como  chuva ou altas temperaturas. Tais  proteínas  apresentam  alto  grau  de  especificidade  para  os  insetos-alvo  e  devem  ser  ingeridas  pelos  mesmos  para  exercerem  seus  efeitos,  além  de  não  serem  tóxicas  para  humanos  e  animais  e  terem  baixo  impacto  para  inimigos  naturais e outros organismos benéficos.

 

COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA Bt?

As proteínas presentes nas plantas Bt, além de serem expressas de  maneira  constante  no  vegetal,  apresentam  um  excelente  controle  de  insetos-praga  devido  ao  seu  modo  de  ação  e  especificidade. Da forma como são produzidas pelas bactérias, elas são inócuas. Assim, para que atuem, há a necessidade de ingestão pela praga-alvo. Quando  ingerida,  a  proteína  entra  em  contato  com  o  fluido  gástrico dos insetos, que tem pH alcalino, liberando pro-toxinas que  em  presença  de  proteinases  são  quebradas,  gerando  fragmentos tóxicos, ou moléculas inseticidas.

Essas moléculas ligam-se a receptores específicos localizados na   membrana   do   intestino   dos   insetos,   interferindo   no   gradiente iônico e osmótico da membrana. Com isso, ocorre o aumento  na  absorção  de  água  de  forma  descontrolada,  causando  a  lise  celular  e  eventual  ruptura  e  desintegração  das células do intestino do inseto, levando-o a morte. O inseto também pode morrer por inanição, pois pouco tempo depois da infecção cessa sua alimentação. Além disso, recentemente descobriu-se que a pro-toxina, que antes  necessitava  ser  clivada  pelas  proteinases  para  gerar  fragmentos tóxicos, pode ser até mais tóxica e potente contra insetos  do  que  sua  fração  tóxica  ativada.  Ajudando,  desse  modo, a aumentar e sustentar a eficácia das culturas Bt.

 

PROTEÍNAS Bt DISPONÍVEIS NO MERCADO

MILHO: Cry 1Ab, Cry 1A.105, Cry 1F, Cry 2Ab2, Vip 3A, Cry 3Bb1

ALGODÃO: Cry 1Ab, Cry 1Ac, Cry 1F, Cry 2Ab2, Cry 2Ae, Vip 3A

SOJA:Cry 1Ac, Cry 1F

 

RECOMENDAÇÕES PARA PRESERVAÇÃO DA TECNOLOGIA Bt

Para  a  preservação  das  estratégias  de  controle  de  pragas,  é  fundamental  seguir  adequadamente  um  bom  programa  de  Manejo Integrado de Pragas - com destaque para o Manejo da Resistência de Insetos (MRI) - além da adoção de Boas Práticas Agrícolas  em  culturas  Bt,  a  fim  de  prolongar  a  eficácia  das  tecnologias e a proteção e alta produtividade das lavouras. Dentre   as   estratégias   de   controle   de   pragas   destacam-se   também   a   dessecação   antecipada,   o   uso   de   sementes   certificadas de modo a garantir a integridade genética, o uso de sementes  tratadas  com  o  objetivo  de  controlar  as  pragas  e  doenças   iniciais,   o   controle   de   plantas   daninhas   (incluindo plantas    voluntárias)    para    evitar    a    presença    de    plantas    hospedeiras  de  pragas,  o monitoramento  de  pragas  cujo  o  objetivo   é   identificar   o   momento   certo   da   aplicação,   a priorização de inseticidas seletivos, a rotação de mecanismos de ação e o plantio das áreas de refúgio.

 

O QUE É REFÚGIO?

O  refúgio  agrícola  refere-se  à  plantação  de  uma  área  com  um percentual de sementes não Bt, em meio às transgênicas. Na  área  de  refúgio  o  inseto-praga  não  estará  exposto  à  pressão de seleção pela proteína Bt. As  áreas  de  refúgio  são  extremamente  importantes  pois  permitem que insetos suscetíveis às proteínas Bt sobrevivam, cruzem com os resistentes e gerem descendentes que serão sensíveis à tecnologia, preservando sua eficácia e benefícios. A  adoção  da  técnica  é  uma  recomendação  que  visa  a  sustentabilidade  do  sistema  de  produção  e  a  eficiência  da  tecnologia Bt,  por  atrasar  a  evolução  da  resistência  dos  insetos às proteínas inseticidas expressas pelas culturas Bt.

 

POR QUE PLANTAR REFÚGIO?

O  principal  objetivo  da  adoção  e  plantio  das  áreas  de  refúgio  é  retardar  a  evolução  da  resistência  dos  insetos,  mantendo  a  população  das  pragas  que  são  sensíveis  à  toxina Bt e aumentando a durabilidade da tecnologia. É necessário entender que, no início, o plantio de sementes contendo  a  tecnologia  Bt  irá  proporcionar  um  controle  efetivo dos insetos. No entanto, é extremamente importante destacar que a médio prazo essa escolha fará com que os indivíduos  que   são   naturalmente   resistente   à   proteína   sejam selecionados e, com o passar do tempo, possam se tornar a maioria. Assim,  a  principal  função  do  refúgio  é  produzir  insetos  suscetíveis  à  toxina  inseticida,  que  irão  acasalar  com  os  possíveis  indivíduos  resistentes  sobreviventes,  provenientes  das  áreas  plantadas  com  biotecnologia,  e  que  irão  gerar  uma  prole  suscetível  e,  assim,  controlada  pela  tecnologia  Bt.

 

COMO ADOTAR O REFÚGIO?

O refúgio deve ser plantado na mesma área e na mesma época  da cultura Bt, seguindo o mesmo manejo. As plantas devem ser da  mesma  espécie  e  possuir  porte  e  ciclo  similares  aos  dessas  plantas. Com isso, as chances de acasalamento entre os insetos dessas duas áreas serão maiores.Independente da cultura, é preciso respeitar o limite máximo de 800  metros  de  distância  entre  a  cultura  Bt  e  a  área  de  refúgio.  Essa  é  uma  distância  compatível  com  a  autonomia  de  voo  da  maioria  das  mariposas  que  são  pragas-alvo  das  culturas  Bt. Essa  estratégia  permite  que  insetos  presentes  na  plantação  convencional   possam   transitar   e   se   cruzar   com   indivíduos   presentes na área de cultivo transgênico.

Já o percentual da área de refúgio que deve ser plantada em   relação   à   área   total   cultivada   com   a   cultura   transgênica  varia  de  acordo  com  a  cultura  utilizada.  Para  milho,  a  área  de  refúgio  deve  ser  de  10%,  já  para  soja,  algodão e cana-de-açúcar, a porcentagem deve ser 20%. Com   relação   ao   manejo,   deve-se   evitar   o   excessivo   controle da praga-alvo da cultura Bt nas áreas de refúgio e  somente  fazê-lo  quando  a  infestação  atingir  o  nível  de  controle.  No  entanto,  se  houver  o  ataque  de  pragas  que  não sejam alvo das plantas Bt, recomenda-se a aplicação de  inseticidas  seletivos  ou  ainda  a  adoção  de  outros  métodos como a liberação de inimigos naturais. Também é importante evitar o uso de inseticidas a base de Bt contra as   pragas-alvo   das   cultivares   Bt pois   esses   produtos   podem   exercer   pressão   seletiva   em   favor   de   insetos   resistentes  a  essa  tecnologia,  o  que  provocaria  efeito  contrário  ao  esperado  nas  áreas  de  refúgio.  Vale  a  pena  ressaltar que o objetivo do refúgio é produzir insetos adultos suscetíveis  em  número  suficiente  para  acasalarem  com  os  eventuais insetos resistentes que sobreviverem nas plantas Bt. As   áreas   de   propriedades   vizinhas   não   devem   ser   consideradas como áreas de refúgio, mesmo que também adotem  a  técnica.  Além  disso,  a  localização  do  refúgio  deve  ser  cuidadosamente  escolhida,  garantindo  o  maior  número  possível  de  acasalamentos  entre  os  insetos  das  duas áreas.

 

QUAL O RISCO DE NÃO ADOTAR O REFÚGIO?

A   não   adoção   do   refúgio   pode   ocasionar    a    rápida    seleção    de    insetos-praga  resistentes  às  toxinas  Bt,  causando  a  perda  da  eficácia  da  tecnologia   e   reduzindo   o   controle   eficiente das pragas-alvo da lavoura. A  adoção  incorreta  do  refúgio  pode  resultar  em  prejuízos    equivalentes  à  não adoção do mesmo. Caso a área de   refúgio   esteja   a   mais   de   800   metros  da  lavoura  Bt  ou  abaixo  do  percentual recomendado para cada cultura,   é   menos   provável   que   os   insetos  resistentes  das  lavouras  Btencontrem     os     suscetíveis     para     acasalamento. Além disso, o excesso de  pulverização  no  refúgio  elimina  a  população  de  insetos,  impedindo  a  geração de indivíduos suscetíveis.

 

ALERTA GERAL

Existem diferentes estratégias de manejo integrado de pragas que   são   extremamente eficazes e necessárias para   a   preservação   da   eficácia   e  durabilidade das diferentes tecnologias. Os diversos manejos, incluindo principalmente o de resistência a insetos e a adoção de Boas Práticas   Agrícolas,  são fundamentais para a durabilidade e eficácia das tecnologias, principalmente a Bt.

É  importante destacar  que  o  cenário  atual  é  que  não  há  expectativas  de  lançamento  de  novas  tecnologias  para o controle de pragas na próxima década. Por isso, é nosso dever valorizar  as  tecnologias  atuais  e  usá-las  da  melhor  maneira  possível   para   mantermos   a   eficácia  e   alcançarmos a preservação e longevidade das mesmas,  garantindo  a  alta produtividade das lavouras. Todos os segmentos envolvidos no agronegócio devem estar cientes e sensibilizados a respeito da importância da adoção das diferentes estratégias de manejo disponíveis, utilizando-as da melhor maneira possível, sempre respeitando e aplicando as Boas Práticas Agrícolas.

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Tecnologia BT - Manejo da Resistência de Insetos